Com a popularização das redes sociais, o ato de partilhar fotos dos filhos online, conhecido como “sharenting”, tem se tornado uma prática comum, mas não isenta de consequências. O fenômeno suscita debates sobre a privacidade, segurança e os impactos emocionais que essa exposição pode acarretar. A exposição prematura pode prejudicar a construção da identidade das crianças e afetar a dinâmica familiar, gerando conflitos e desconfiança.
Impactos da exposição precoce na vida das crianças
Pesquisas, como a realizada pela UniCesumar, revelam um panorama alarmante das repercussões do sharenting. Essas repercussões podem ser categorizadas em quatro eixos:
- Privacidade e segurança digital: A exposição já começa na infância, criando uma identidade digital que pode ser permanente.
- Implicações psicológicas e culturais: Crianças sentem estranhamento com as postagens, o que pode gerar bullying e desconforto.
- Dinâmicas sociais e familiares: Conflitos entre pais e filhos podem surgir, especialmente quando pedidos de remoção de conteúdos são ignorados.
- Resposta societal e legal: A falta de regulamentação sobre o sharenting acentua os riscos.
A construção da identidade e a autoestima
O compartilhamento excessivo de fotos pode afetar a autoestima das crianças. Muitas vezes, elas se veem criando uma identidade pública distinta daquela que realmente desejam. A psicóloga Ana Lúcia Karasin alerta que a exposição digital precoce pode prejudicar a construção da identidade e a sensação de segurança emocional nos filhos.
Conflitos familiares e a dinâmica de confiança
Os efeitos do sharenting vão além da individualidade da criança; ele cria um ambiente propício para conflitos familiares. Quando pais e filhos não concordam sobre o que deve ser compartilhado, a confiança pode ser abalada. O sociólogo Lucas França Garcia enfatiza que esse fenômeno pode revelar mais sobre as necessidades emocionais dos adultos do que sobre os próprios filhos.
Dicas para partilhar de forma consciente
Antes de partilhar fotos, é fundamental os pais refletirem sobre suas motivações. Aqui estão algumas recomendações práticas:
- Questionar se a publicação respeita a individualidade do filho.
- Considerar se a postagem seria confortável se fosse sobre eles.
- Pensar nas possíveis repercussões futuras da imagem.
Essas perguntas podem guiar os pais a compreenderem melhor os impactos da exposição, evitando consequências que possam prejudicar permanentemente os laços familiares.
O cenário legal do sharenting
Embora várias regiões do mundo estejam avançando em termos de regulamentação, o Brasil ainda carece de diretrizes claras. Enquanto em países como a França os filhos têm o direito de processar os pais por postagens, no Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente oferece diretrizes, mas falta regulamentação específica para situações de sharenting. Essa lacuna destaca a necessidade urgente de políticas públicas que eduquem pais e cuidadores sobre o uso consciente das redes sociais.
Entender as complexidades do sharenting é essencial. Promover a privacidade e a segurança das crianças deve estar no centro das decisões dos responsáveis. Invista na educação digital consciente e na reflexão sobre o que realmente significa compartilhar as vidas dos filhos online.



